Escrito por Murray N. Rothbard
Neste terceiro volume de Controvérsias Econômicas, Murray N. Rothbard conduz o leitor ao coração dos debates monetários e bancários que moldaram a economia moderna. Reunindo ensaios sobre dinheiro, inflação, bancos, padrão-ouro, socialismo e cálculo econômico, a obra desafia algumas das crenças mais difundidas sobre o sistema financeiro contemporâneo e apresenta a perspectiva da Escola Austríaca sobre o papel da moeda e das instituições monetárias.
A primeira parte do livro explora temas fundamentais como a teoria austríaca do dinheiro, a natureza da oferta monetária, a relação entre Estado e sistema bancário, o padrão-ouro e os efeitos da inflação sobre a estrutura produtiva. Rothbard demonstra que o dinheiro não é uma criação arbitrária dos governos, mas uma instituição surgida espontaneamente no mercado, e argumenta que a expansão monetária provoca redistribuições ocultas de riqueza, ciclos econômicos e distorções que afetam toda a sociedade.
O autor também revisita o famoso debate sobre o cálculo econômico sob o socialismo, aprofundando as contribuições de Ludwig von Mises e expondo as dificuldades enfrentadas por sistemas que tentam substituir os preços de mercado por planejamento centralizado. Ao analisar as tentativas de resposta de economistas socialistas e intervencionistas, Rothbard reforça a tese de que a ausência de propriedade privada e de preços livres torna impossível a alocação racional de recursos em uma economia complexa.
Em seguida, a obra confronta algumas das figuras mais influentes da teoria econômica moderna. Milton Friedman, Paul Samuelson, Robert Heilbroner, James Buchanan e Gordon Tullock têm suas ideias examinadas criticamente, enquanto Rothbard avalia as consequências teóricas e práticas de suas propostas para a liberdade econômica, a legitimidade do Estado e a organização social.
O volume se encerra com uma análise provocativa sobre Karl Marx e o marxismo, tratado não apenas como uma teoria econômica ou política, mas como uma visão de mundo dotada de elementos escatológicos e quase religiosos. Rothbard investiga as origens intelectuais e filosóficas do marxismo e questiona suas pretensões científicas, aproximando-se das críticas formuladas por importantes dissidentes e estudiosos da tradição socialista.
Uma obra indispensável para quem deseja compreender os fundamentos da teoria monetária austríaca, os limites do planejamento estatal, as origens dos ciclos econômicos e os debates intelectuais que moldaram as discussões sobre dinheiro, bancos e liberdade no século XX.